24.12.08

um dia congestionado de plenas reflexões

o desespero corre, e neste rio, cresce a fúria das correntezas e as caóticas cheias inescrupulosas. não há pontes, não há portos seguros, não há meios de fazê-lo parar de fluir. aprenderei a voar e atravessá-lo-ei. chegarei ao outro lado com meus pés apoiados em tudo e em nada.
o horizonte adaptou-se a ameaças de morte diárias e está rodeado pela motivação mais resistente. meus olhos e ouvidos acostumaram-se ao espetáculo fatídico dos quadros caindo pelos corredores desprovidos de iluminação, não mais amedrontam-se com as variadas anomalias que o mundo expõe. minha mente reluzente com sua luz própria, sempre encontra métodos de amenização para todos os medos. este, indiscutivelmente, é só mais um dos simples sentimentos que minuciosamente conheço. foi difundido e em seguida abrangido, sei como lidar com ele cada vez em que entra entra pela minha respiração, perfura meus pulmões e invade minha segurança. jamais me deixo vencer por algum desalento.
desta vez, não haverão preços a serem pagos. não há desvantagem em querer crescer, abandonar completamente toda e qualquer imaturidade. o desconforto é temporário, e eu logo estarei em casa. hoje em dia, as promessas estão mortas, todas foram reduzidas a um material ignóbil. o romance se encontra estático, invariavelmente preso em minha garganta. há dias em que ele debate-se, na tentativa de libertar-se, expressar-se, ensinar-me o trajeto correto do que intitulam de felicidade. de fato, tem horas em que preciso controlar-me para não deixá-lo escapar.

paciência, tenha paciência.
digo a mim mesma todos os dias.

envolvida nos lençóis provenientes da noite, sonho.
sempre ao despertar, sinto-me decepcionada por aquilo não ser minha realidade, mas, ao mesmo tempo, sinto-me confortavelmente deslumbrada por ter me sentido tão bem, mesmo que seja ilusória e momentaneamente.
talvez, meus sonhos complementem minhas idéias de uma forma indireta, imperceptível. inexplicavelmente, eles me trazem esperanças, e não me desligarei dessa forma de absorver persistência.

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