22.2.09

seja bem vinda novamente

é estranho, incomum, mas principalmente difícil estar de volta.
foi como ter ficado fora de casa por anos, e, ao retornar, ter encontrado estranhos no lugar de minha família e amigos.
será isto uma retrocedência?
bom, prefiro arriscar que seja também o antônimo. prefiro dizer que retrocedi para poder me mover e sair do lugar onde costumava estar, alterar meus sentimentos aprisionados, e conhecê-los melhor.
as vozes, as ruas, as pessoas... há algo de diferente nelas. algo que, talvez, eu demore a decifrar.
as essências, os valores, as lutas, os caráteres, as desilusões. alguns deles continuam os mesmos, mas não para mim. a anormalidade tem me seguido. por mais que eu queira negar, é imprescindível mencionar que me deram olhos novos, junto com uma metade de coração. e, só esta funciona. a outra, talvez esteja doente, talvez dormindo profundamente, a espera do dia em que poderá ter pernas mais fortes e sair se expondo a perigos novamente. com estes dois fatores, meu cérebro automaticamente atendeu as novas necessidades, e fornece o que preciso conforme meus passos. tudo depende somente de mim.
é como se eu estivesse estado em um lugar aleatório, mas que me ofereceu grandes oportunidades de aprendizado. e digo até que o ar que circula em meus pulmões já não é o mesmo.
o habitual gosto de cigarro tornou-se amargo, mas esta amargura tem se alastrado em meu corpo e alma, e eu não posso mais voar. minhas asas foram cortadas, meus lábios agora murmuram a realidade. realidade que meus olhos nunca realmente enxergaram.
minhas histórias... bom, elas perderam seu rumo, entraram em um túnel onde situam-se todos os tipos de dor, alegrias, tristezas, sorrisos. enfim, sentimentos. e você pode tocá-los com suas próprias mãos, admirá-los bem de perto. se achar que é capaz de viver com responsabilidades, pode até pegá-los, levá-los para casa, e, com dedicação e um pouco de sorte, pode prolongar seu tempo de vida.

16.2.09

um dia que existiu...

e vai se repetir até onde minha memória e sentimentos permitirem. um dia em que se contentar com pequenas coisas, fez as paredes frias daquilo que é inexplicável e doloroso, descongelarem-se. quando me dei conta, tudo havia desabado, bem longe de mim, e a luz acendeu os tons apagados.
ainda sinto seu abraço. ele está preso em meu corpo, envolto de uma corrente inquebrável que me protege. ainda sinto teus lábios beijando minha amargura, que tornou-se doce em questão de uma pequena alteração de percursso que provocou mudanças nos batimentos de um coração cansado. suas mãos esculpiram minha melhor, e mais nobre forma de vida, segurando com cuidado aquilo que eu manti trancado e escondido sob sete chaves.
algumas horas foram suficiente pra que eu não me visse caída em cantos escuros. meus olhos não desviaram-se dos seus, em segundo algum. sua voz talvez tenha se tornado inconfundível em meio a todas as outras.
me senti curada dos mals incuráveis, me senti privilegiada. encontrei um antídoto pra todas as espécies de vazio em cada sorriso seu.

4.2.09

de novo?!

detesto! ter que admitir que estou sentindo isto novamente.
bom, caí de cara no chão, nada de mais. apenas sinto como se todos os meus ossos estivessem quebrados, e em mim, tivesse se alojado uma doença incurável.
ódio. é isto que estou vivendo. eu até poderia dizer que meu coração está partido, mas, que coração?
se ter um coração feito da mais resistente das pedras, é o mesmo que não ter, então...
pra me favorecer, tive náuseas incontroláveis ontem, antes de ir trabalhar, e decidi não ir por nem aguentar parar em pé. e enquanto eu colocava tudo pra fora, eu torcia pra que todo e qualquer conteúdo que há dentro de mim e diz respeito a você, fosse espelido naquela hora. totalmente sem forças, cambaleando, com a respiração ofegante, apenas consegui me dirigir até o quarto, me joguei na cama, e meu sono foi o mais inabalável até os dias de hoje. foi ridículo alguém ter aparecido em um sonho, NÃO! era pra estar lá. e detalhe (isto deixa óbvio o quanto estou sofrendo): eu estava em um prédio, olhando pela janela, então, noto que há alguém me olhando, lá de baixo, e adivinhe?!
demorei alguns segundos pra reconhecer aquele rosto, mas consegui. ela estava abraçando um amigo, mas apenas o fez depois de ter me visto. eu olhei, me manti imóvel, incrédula. quando a vi se retirar, ir embora dali, desci as escadas o mais rápido que pude, peguei um táxi, e pedi pra que ele me ajudasse a encontrá-la, sem resultado algum. - até em sonho, mas é um inferno mesmo!
fiz questão de acordar, pra não ter que ficar me torturando. precisava desabafar sobre isso, e tinha que ser agora.
alguém veio me criticar, apontando erros que já não repetem-se há tempos. das outras vezes sempre deu tudo errado por erro meu, e eu confesso. mas desta, não. o que eu exigi, era compreensível, era somente o que eu precisava. mas dane-se, deixe que todos pensem que fiz tudo errado outra vez. não faço a mínima questão de esclarecer.
isto estendeu-se por três meses, e pra mim, é tempo demais. não podemos esquecer que a coisa toda, de um modo geral, só ganhou forma há uns dez dias, talvez, nem isso. teve que ser bruscamente interrompida há dois, então, impossível estar recuperada por completo neste curto espaço de tempo.
lembro que no começo, era tudo sensatamente recíproco, e ela me queria, eu podia sentir. em uma semana, o jogo mudou, e eu a deixei segura de que ela é quem eu amo. na primeira oportunidade, jé me magoou, me tratou mal, e foi como se eu não fosse absolutamente na-da. e eu, muito idiota, não notei, e manti o mesmo curso da conversa, continuei sendo a tonga apaixonada que faz tudo por quem ama, e nem liga quando é tratada com estupidez. mais tarde, acordei. juntei esta nossa última conversa com outros acontecimentos, e notei que eu estava sendo uma completa burra, idiota, tonga.
ela só me machucaria, sim.
e por tudo o que houve nesses últimos dias, digo e repito: somente eu amei.
outra vez, me tranquei dentro de um mundo onde só existe a minha essência, e fiz questão de jogar as chaves penhasco abaixo. não tenho previsões de retorno.
esta amargura é meu escudo, e ela funciona como quatro paredes de concreto vermelho, da cor do ódio, como um isolante a devassidão nauseabunda humana.
tentei mudar de idéia, tentei ao menos amenizar parte do meu descontrole, tentei enxergar com outros olhos. mas não há maneira, todos tem o mesmo sangue corrompido correndo nas veias, todos com o caráter duvidoso. não, eu não generalizo, mas chego muito perto. encontrei excessões, e me agarrei a elas.
ao menos sei que tenho meus portos seguros, e que não estarei perdida quando precisar de alguém.

2.2.09

dias severos...

não tenho mais tido sono e nem inspirações. a apatia tomou conta da superfície em que se encontra todas as minhas possiblidades de falhas e acertos. fui privada de caminhar, por mim mesma, por meus próprios atos. condenei-me, e isso agravou todos os meus mals, prejudicou diretamente minha frágil existência.
me movo, mas não saio do lugar. grito, e os nós de minha garganta não desfazem-se. choro, e não sinto alívio algum em meu peito.
preciso sair daqui, ir para longe, deixar para trás as resquizes de qualquer acontecimento ruim. vida nova, é o que costumo dizer.
bom, talvez eu queira retornar a vida real agora mesmo, mas só aceito se for contigo. ontem refleti sobre tudo o que está ao meu redor, me enfraquecendo, e cheguei a conclusão de que a tua ausência é a maior causa desta anorexia.
não consigo encontrar palavras boas o suficiente para registrar estes momentos que eu preferia nem viver. não consigo esquecer, mas consigo amenizar as inflamações que latejam em minha pele marcada pelas inúmeras angústias.

1.2.09

talvez eu saiba definir com precisão exatamente como e quando nossa história começou...

aspectos negativos da insônia, e tantos outros contratempos, não estão sendo considerados no dia de hoje.
abro mão até de minhas preciosas horas de sono pra sentir-me mais próxima de ti, afavelmente beijar-te os lábios em meio a delírios, que são de todo necessários para que seja sustentado este inominável sentimento que pulsa vivaz, com forças indestrutíveis.
ao certo, sem sombra de dúvidas, posso dizer que este amor tem se alastrado, estado em todos os lugares possíveis, e ao mesmo tempo. não me permitindo esquecer de ti por um único minuto de todos estes dias.
teus cuidados, tua atenção, teu carinho e preocupação contribuiram para que eu me desfizesse em pedaços diante de ti, me derretesse inteira e deixasse isso visivelmente claro em minhas expressões corporais.
tu é linda! amo o formato de teus olhos. eles prendem toda a minha atenção, e são compostos de um castanho transparente que me hipnotiza. esta transparência, talvez apenas eu a tenha notado. quase posso ver tua alma através dela. ela me protege da morbidez, de toda e qualquer ecuridão, me acolhe em dias frios, me contagia com o amor que é dedicado especificamente a mim.
talvez eu tenha te amado desde nossos primeiros segundos, talvez eu saiba definir com precisão exatamente como e quando nossa história começou, e talvez, agora eu tenha me tornado dependente deste amor que tanto me faz bem.
sonho em te ver pelas manhãs, acordar ao teu lado, e poder beijar-te a testa e em seguida dizer ''bom dia, meu amor'' te olhando nos olhos e sentindo teus braços enroscando-se em meu corpo.

eu te amo, e sinto tua falta.

as náuseas corriqueiras não deixarão de perturbar

não é surpreendente que eu esteja sentindo um profundo ódio.
as coisas todas aconteceram há um mês, mas prosseguem martelando em minha cabeça, insistindo em me proporcionar aquela mesma sensação do mau estar da traição. ao menos suas proporções imensas tem diminuído rapidamente, e me sinto melhor sabendo que em breve tudo isso terá se estingüido definitivamente.
nunca mais nos vimos desde aquele dia em que derramamos lágrimas juntos, involuntariamente, e exprimimos tudo que sentíamos. e sei que só o acaso fará com que nos encontre novamente.
sempre valorizamos a nossa união fraternal, acima de qualquer mentira que usassem pra nos destruir. mas, o que choca, é que não foi uma mentira que nos destruiu, e sim, a mais pura e dolorosa verdade.
você, com sua fraqueza, não conseguiu conviver com o resoluto sentimento que lhe roubou o espaço e o ar. fomos destruídos pelo maldito! amor que fez com que você mudasse, escondesse o que deveria ser dito a mim por direito. nossa amizade e tudo mais que construímos juntos, foi corroído.
aquele dia, aos meus e aos teus olhos, pareceu ser o último de nossa tragetória, que ainda estava sendo planejada. caminhamos vagarosamente lado a lado, mal nos olhamos. palavras esquizofrênicas e trôpegas foram trocadas, nos abraçamos em sinal de despedida, entrei no ônibus e não senti necessidade de olhar em volta ou para trás, para vislumbrar teu rosto pela última vez no dia.

nossas premonições estavam redondamente certas.
não mais nos falamos, e alguns dias depois, veio a inesperada punhalada. em nossa única conversa, não houve pedidos de desculpas, não houve o mínimo sinal de resgatação do apego que sentíamos. o que soube de imediato, foi que não poderíamos mais nos falar. você não merece mais nada que venha de mim.
não tem volta, não quero que tenha.

mais um dia não amanhece...

a mesmice da ausência quase crônica de alegrias entra em cena.
não enxergo adiante,
não abro mão da claridade benévola e inegualável que devolve minha visão.
faço dela minha manhã.
involuntariamente, a sinto tocar meu rosto, beijar meus olhos cansados.
exatamente como o suave vento, que insiste em não se mexer,
invariavelmente estático,
como meu coração antes de tu despertá-lo.

sozinho

consigo soprar os fragmentos do meu coração e vê-los misturar-se ao ar.
suas cores são inconfundíveis, e as lembranças são todas um único descontentamento.
tenho-as próximas mesmo enquanto voam longe.

os pequenos pedaços não podem ser juntados,
não podem se regenerar.
assombros reais impedem até mesmo o esquecimento parcial,
e, a mim só resta pensar, pensar e pensar.

abstinência, constante abstinência.
o que era vazio, converteu-se em dor,
persistente, real, enfraquecedora.
o oco foi preenchido pelo mais detestável dos sentimentos, paralizando meus movimentos.
não posso correr, nem me esconder.
apenas tenho o direito a estabilizar minhas defesas, de olhos fechados e mãos vazias.

o sonho de anos, o sonho de ontem, o de hoje,
ambos diferentes em sua anatomia,
iguais em sua finalidade e utópicos em cada sentido.
todos impossibilitados, bloqueados, mortos, e largados em lugares imundos que visito diariamente.
a verdade tem machucado, arrancado partes de uma vida que sempre mantiveram-se intactas aos fortes ventos.
a história escrita, envelheceu,
e sequer aconteceu.