1.2.09

as náuseas corriqueiras não deixarão de perturbar

não é surpreendente que eu esteja sentindo um profundo ódio.
as coisas todas aconteceram há um mês, mas prosseguem martelando em minha cabeça, insistindo em me proporcionar aquela mesma sensação do mau estar da traição. ao menos suas proporções imensas tem diminuído rapidamente, e me sinto melhor sabendo que em breve tudo isso terá se estingüido definitivamente.
nunca mais nos vimos desde aquele dia em que derramamos lágrimas juntos, involuntariamente, e exprimimos tudo que sentíamos. e sei que só o acaso fará com que nos encontre novamente.
sempre valorizamos a nossa união fraternal, acima de qualquer mentira que usassem pra nos destruir. mas, o que choca, é que não foi uma mentira que nos destruiu, e sim, a mais pura e dolorosa verdade.
você, com sua fraqueza, não conseguiu conviver com o resoluto sentimento que lhe roubou o espaço e o ar. fomos destruídos pelo maldito! amor que fez com que você mudasse, escondesse o que deveria ser dito a mim por direito. nossa amizade e tudo mais que construímos juntos, foi corroído.
aquele dia, aos meus e aos teus olhos, pareceu ser o último de nossa tragetória, que ainda estava sendo planejada. caminhamos vagarosamente lado a lado, mal nos olhamos. palavras esquizofrênicas e trôpegas foram trocadas, nos abraçamos em sinal de despedida, entrei no ônibus e não senti necessidade de olhar em volta ou para trás, para vislumbrar teu rosto pela última vez no dia.

nossas premonições estavam redondamente certas.
não mais nos falamos, e alguns dias depois, veio a inesperada punhalada. em nossa única conversa, não houve pedidos de desculpas, não houve o mínimo sinal de resgatação do apego que sentíamos. o que soube de imediato, foi que não poderíamos mais nos falar. você não merece mais nada que venha de mim.
não tem volta, não quero que tenha.

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