é estranho, incomum, mas principalmente difícil estar de volta.
foi como ter ficado fora de casa por anos, e, ao retornar, ter encontrado estranhos no lugar de minha família e amigos.
será isto uma retrocedência?
bom, prefiro arriscar que seja também o antônimo. prefiro dizer que retrocedi para poder me mover e sair do lugar onde costumava estar, alterar meus sentimentos aprisionados, e conhecê-los melhor.
as vozes, as ruas, as pessoas... há algo de diferente nelas. algo que, talvez, eu demore a decifrar.
as essências, os valores, as lutas, os caráteres, as desilusões. alguns deles continuam os mesmos, mas não para mim. a anormalidade tem me seguido. por mais que eu queira negar, é imprescindível mencionar que me deram olhos novos, junto com uma metade de coração. e, só esta funciona. a outra, talvez esteja doente, talvez dormindo profundamente, a espera do dia em que poderá ter pernas mais fortes e sair se expondo a perigos novamente. com estes dois fatores, meu cérebro automaticamente atendeu as novas necessidades, e fornece o que preciso conforme meus passos. tudo depende somente de mim.
é como se eu estivesse estado em um lugar aleatório, mas que me ofereceu grandes oportunidades de aprendizado. e digo até que o ar que circula em meus pulmões já não é o mesmo.
o habitual gosto de cigarro tornou-se amargo, mas esta amargura tem se alastrado em meu corpo e alma, e eu não posso mais voar. minhas asas foram cortadas, meus lábios agora murmuram a realidade. realidade que meus olhos nunca realmente enxergaram.
minhas histórias... bom, elas perderam seu rumo, entraram em um túnel onde situam-se todos os tipos de dor, alegrias, tristezas, sorrisos. enfim, sentimentos. e você pode tocá-los com suas próprias mãos, admirá-los bem de perto. se achar que é capaz de viver com responsabilidades, pode até pegá-los, levá-los para casa, e, com dedicação e um pouco de sorte, pode prolongar seu tempo de vida.
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