1.2.09

sozinho

consigo soprar os fragmentos do meu coração e vê-los misturar-se ao ar.
suas cores são inconfundíveis, e as lembranças são todas um único descontentamento.
tenho-as próximas mesmo enquanto voam longe.

os pequenos pedaços não podem ser juntados,
não podem se regenerar.
assombros reais impedem até mesmo o esquecimento parcial,
e, a mim só resta pensar, pensar e pensar.

abstinência, constante abstinência.
o que era vazio, converteu-se em dor,
persistente, real, enfraquecedora.
o oco foi preenchido pelo mais detestável dos sentimentos, paralizando meus movimentos.
não posso correr, nem me esconder.
apenas tenho o direito a estabilizar minhas defesas, de olhos fechados e mãos vazias.

o sonho de anos, o sonho de ontem, o de hoje,
ambos diferentes em sua anatomia,
iguais em sua finalidade e utópicos em cada sentido.
todos impossibilitados, bloqueados, mortos, e largados em lugares imundos que visito diariamente.
a verdade tem machucado, arrancado partes de uma vida que sempre mantiveram-se intactas aos fortes ventos.
a história escrita, envelheceu,
e sequer aconteceu.

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