31.12.08

em plena véspera de ano novo...

e aqui estou eu, me desmoronando por dentro.
de certo, não sou a única em tais condições lamentáveis, mas a grande maioria anda por aí dando pulos de alegria.
sei que reclamo de barriga cheia, tenho tudo o que quero e muita gente não tem nem a metade. mas, só queria dizer que de nada adianta você ter todas as mordomias do mundo quando não tem alegrias. quando não tem alguém pra amar e que te ame da mesma forma, ou até mais. eu trocaria tudo isso por um pouco de amor. largaria tudo pra levar uma vida de verdade.
é desesperadamente desconcertante saber que minha vida vai tomar um rumo diferente daquele que aspiro. é decepcionante saber que a maioria das coisas que escrevi não estão e jamais estarão próximas de tornar-se realidade.
uma vez, disse que recorreria a você quando meus propósitos se perdessem, mas não posso fazê-lo. não quando você torna-se meu propósito perdido, e doloroso.
minhas inseguranças apenas tem se sobrecarregado dentro de um coração especialmente feito pra ser quebrado por uma paixão platônica.
tanto faz estar com os olhos abertos ou fechados, dormindo ou acordada. meus segredos me perseguem contra a minha vontade, em todo momento.
aquela que você conheceu e se apaixonou, desaparecerá tão depressa quanto ela mesma espera. talvez você se surpreenda e sinta seus batimentos cadíacos congestionados com tantas novidades surgindo.
o amanhecer sempre voltará para nós, mas, a partir de amanhã, ele se encolherá, com medo de te olhar nos olhos e ter que mentir sobre o que passou-se durante uma era inteira de escuridão. o sol não irá mais abraçar-te com a mesma liberdade ampla que lhe proporcionava a impressão de que fosse amor, e correspondido.
os passos contínuos, o som do embate recíproco dos sapatos com o chão, as pernas cambaleantes e persistentes. ambos indicando um tempo sem fim, sem dias estipulados, sem números para conter o destino qualquer que seja, sem relógio que traga respostas. tique-taque - um tempo sem fim.
odeio! e ao mesmo tempo amo acontecimentos trágicos. carrego-os apoiados em meu braço direito, manuseando-os, enquanto os levo comigo, de uma forma que mantenham-se visíveis a minha sensibilidade aflita. quando meus pezares exasperam-se, uno os trágicos acontecimentos aos impulsos dramáticos, e uso todo meu esforço pra expelir através da minha pele aquilo que intoxica as ilimitadas datas e os nomes ligados a elas. vomito um conjunto de seres imaginários em sua perfeita forma mortal, nauseabunda e peçonhenta.
eu não queria que fosse assim com você, juro que evitei usando artifícios amargos que nunca falharam antes. mas não teve escapatória, cada um de nós acabou por quebrar as respectivas promessas. o barulho perfurante de saliva e sangue jogados ao acaso e estabacando-se no sólido, ecoará eternamente em cada esquina que confrontaram-se lutando pela verdade.
tem sido impossível sorrir sendo comandada pelos acontecimentos.
será que devo morrer de novo?
a resposta está bem óbvia, e os planos, definidos.
talvez amanhã eu troque de nome, modifique a proporção de minha prontidão afetuosa que dediquei a alguém. talvez, eu até troque de mundo. mas sei que ainda poderei renovar todos os objetos externa e internamente. farei com que sorriam alegremente enquanto dançam, no clímax de seu auge mais estável.

26.12.08

lembre-se de mim...

entrelasse seus braços em volta de meu corpo, puxe-me para ti, beije minha debilidade, pressione-me contra tua alma. não interrompa a pureza do andar do meu sentir. abrace-me até que eu durma. note as palpitações com teu nome que circulam pelo meu eu.
para ti, sou portadora de dons incomuns. purifico o ar em meus dias de presença, converto-me na insubstituição nos dias de ausência.
tornei-me totalmente dependente do frio na barriga que me invade quando me imagino passeando de mãos dadas contigo nos campos floridos.
sinto inveja do ar que tu respira, dos objetos que por ti são tocados, do travesseiro que, delicadamente, afaga teu rosto e cabelos e retém o teu imaculado cheiro... gostaria de poder ser todos eles, só para estar contigo além do que é permitido, e para sempre.

24.12.08

um dia congestionado de plenas reflexões

o desespero corre, e neste rio, cresce a fúria das correntezas e as caóticas cheias inescrupulosas. não há pontes, não há portos seguros, não há meios de fazê-lo parar de fluir. aprenderei a voar e atravessá-lo-ei. chegarei ao outro lado com meus pés apoiados em tudo e em nada.
o horizonte adaptou-se a ameaças de morte diárias e está rodeado pela motivação mais resistente. meus olhos e ouvidos acostumaram-se ao espetáculo fatídico dos quadros caindo pelos corredores desprovidos de iluminação, não mais amedrontam-se com as variadas anomalias que o mundo expõe. minha mente reluzente com sua luz própria, sempre encontra métodos de amenização para todos os medos. este, indiscutivelmente, é só mais um dos simples sentimentos que minuciosamente conheço. foi difundido e em seguida abrangido, sei como lidar com ele cada vez em que entra entra pela minha respiração, perfura meus pulmões e invade minha segurança. jamais me deixo vencer por algum desalento.
desta vez, não haverão preços a serem pagos. não há desvantagem em querer crescer, abandonar completamente toda e qualquer imaturidade. o desconforto é temporário, e eu logo estarei em casa. hoje em dia, as promessas estão mortas, todas foram reduzidas a um material ignóbil. o romance se encontra estático, invariavelmente preso em minha garganta. há dias em que ele debate-se, na tentativa de libertar-se, expressar-se, ensinar-me o trajeto correto do que intitulam de felicidade. de fato, tem horas em que preciso controlar-me para não deixá-lo escapar.

paciência, tenha paciência.
digo a mim mesma todos os dias.

envolvida nos lençóis provenientes da noite, sonho.
sempre ao despertar, sinto-me decepcionada por aquilo não ser minha realidade, mas, ao mesmo tempo, sinto-me confortavelmente deslumbrada por ter me sentido tão bem, mesmo que seja ilusória e momentaneamente.
talvez, meus sonhos complementem minhas idéias de uma forma indireta, imperceptível. inexplicavelmente, eles me trazem esperanças, e não me desligarei dessa forma de absorver persistência.

23.12.08

e lá vem o natal e o ano novo novamente...

como de praxe, superficialmente fico toda alegrinha, mas, por dentro, eu grito desesperadamente, torcendo pra tudo acabar de uma vez.
essas datas me deprimem. não consigo seguir os exemplos de todos por aí, que saem distribuindo sorrisos de concreto amarelado por toda a parte.
bom, talvez, dessa vez seja diferente. as coisas estão começando a se acertar por aqui. até me sinto um pouco menos pior. (HAHA)
finalmente consegui um bom emprego, superei tudo o que me fez mal, mandei pra puta que pariu tudo o que era desnecessário e me incomodava.
até minha família tem me tratado muito melhor, tenho amigos maravilhosos que posso contar em qualquer hora, e já não me importo com mais nada.
essa estabilidade vai durar tempos, as coisas mudaram muito, e não faço a mínima questão de voltar atrás de nada. meus planos ganham mais importância a cada dia. estou extremamente satisfeita com meu atual caráter e personalidade.
de fato, ainda não me sinto completa. mas, creio que o que falta, não conseguirei com facilidade. ou, talvez, nem chegarei a conseguir. mas não importa.
sabe quando tu vê que tudo NÃO conspira a seu favor, mas ainda assim precisa ao menos tentar, e muito provavelmente, quebrar a cara outra vez?
então!
mesmo sob essas condições, não consigo dar ouvidos ao que minha consciência diz. a razão é mínima se comparada com meu sentimento.
estou de olhos fechados e de mãos vazias, mas preciso tentar, eu tenho que tentar!
terei que quebrar elos inquebráveis, destruir a dependência indestrutível, matar dias imortais.
o grau de seriedade disso tudo é muito alto. posso me machucar, é bem provável que aconteça, estou ciente.
mas não estou ligando pra nada disso!
enquanto o movimento dos meus braços e pernas não forem estritamente proibidos de continuar, não vou parar. enquanto eu não ouvir as palavras dilacerantes, vou estar no mesmo lugar costumeiro, me esforçando pra aumentar meu espaço.
nada e nem ninguém pode mudar meus planos. sei de todos os riscos e estou disposta a correr cada um deles. estou me expondo como nunca me expus, e farei tudo pra que a história tenha um final agradável a todos, mas principalmente pra mim, é claro.

só pra constar: sei que minhas postagens estão ficando sem conteúdo, repetitivas e chatas. mas é isso que sinto agora, e não posso fazer nada pra mudar minha situação. ;_; pelo menos não por enquanto. hoho
logo as inspirações estarão de volta. espero. :~

19.12.08

aquela certeza sempre me reconforta

o caos só tem aumentado, e minhas dificuldades, se multiplicado.
mas, não posso deixar de mencionar que me sinto forte e pronta, como nunca me senti. cresci, abandonei meus medos, as desistências enfraqueceram. e, no dia de hoje, posso até me sentir vulnerável, mas sei que não estou. posso aniquilar qualquer obstáculo logo de primeira, sem precisar de outras tentativas. basta apenas aparecer o momento oportuno pra que eu use minhas artimanhas e vire o jogo.
não sei até onde chegarei, não sei onde vou estar amanhã, mas sei quem vou amar. inevitavelmente, sempre vou correr pra aquele lugar que só eu conheço quando quiser me refugiar e ganhar carinho, me sentir importante e amada. sei que você sempre vai estar lá, de braços abertos quando eu precisar.

15.12.08

as perdas de tempo sempre se repetem...

mais uma vez, desencadeiam-se aquelas mudanças drásticas e inesperadas. isso tornou-se algo essencialmente do meu feitio. sempre que perco as estribeiras, mudo a arquitetura de dias inteiros.
cheiros, cores, texturas, sons, sorrisos... todos eles abandonam seus respectivos lugares, acompanhando meus passos.
não sei dizer ao certo como tudo isso começou, mas sei descrever com precisão o quanto cada fio dessas novidades tem me feito bem.
entrei naquela fase de transição de decidir o que quero pra vida, que todos tanto abominam. perdi e ganhei, quebrei a cara, me decepcionei e em seguida encontrei a solução, me apaixonei pela vida novamente.
o tempo foi aproveitado com maestria. não há o que reclamar de minha nova vida, mas também não há muita coisa que possa servir de exemplo a alguém, POR ENQUANTO.
não foi uma única circunstância que me tirou de onde eu estava. as traições se repetiram, mas, dessa vez, soube exatamente como lidar com cada uma. talvez não tenha agido da forma certa, mas, agi de acordo com aquilo que não implicaria em mais dor, não meti os pés pelas mãos.
bom, não adiantaria me dedicar a diferenciar o certo do errado. estou exausta, prefiro deixar tudo como está, abandonar de vez as pilhas de assuntos pendentes, deixar com que mofem em um canto. me desgastei demais tentando consertar erros que sequer foram meus.
arrancaram tudo o que ainda havia de saudável ao meu alcance. mas, felizmente, minhas autodefesas estão altamente desenvolvidas, e não terei o menor problema em renovar minhas aspirações.
ODEIO pessoas que se contradizem excessivamente! ahhh, que vontade de mandar tomar no cu!
alguém me fez de idiota o quanto quis, e eu, burra, cega, não notei qual seria o fim, não pude interromper a palhaçada.
esse alguém, disse que não conseguiria me excluir pra agradar outro alguém. me senti feliz por tal demonstração de lealdade.
com o passar dos dias, percebi que tudo foi uma farsa! que aqueles dias todos em que fui feliz, e proporcionei o mesmo sentimento, haviam sido jogados no lixo, junto com todos os meus ensinamentos e avisos.
eu havia depositado todas as minhas esperanças em algo que me fazia bem integralmente, estava me sentindo aliviada por, finalmente, ter encontrado ao menos um ponto de motivação pra continuar de pé e com um sorriso invejável no rosto.
destruíram meu único sonho verdadeiro que havia sido realizado até hoje.
e isso tudo por um orgulho ferido. mas foda-se! de mais uma experiência desagradável, tirei muito proveito, aprendi lições novas.
não dou a mínima se eles me traíram, me deixaram quando mais precisei. na verdade, me fizeram um grande favor ao me abandonar. uma decepção ensina muito mais do que um sucesso. e, além do mais, eu não ia querer em minha vida pessoas de caráter duvidoso. foi muito melhor que tudo tenha se dado no início. se a verdade tivesse sido reservada pra mais tarde, creio que seria mais difícil lidar com todos esses contratempos.
novamente, ficou claro o quanto as pessoas são todas patéticas, egoístas, imbecis, idiotas, e o quanto eu quero que todas mantenham distância de mim. pouco fodo-me se você me acha dramática e revoltadinha. tenho todos os motivos do mundo pra ser assim, então, não me faça dar uma pequena lição de moral em você.
foda-se se você é sentimental demais pra entender o meu ponto de vista!
eu só queria poder ter um mecanismo que detectasse falsidades algum tempo antes de acontecerem, assim, eu teria bem menos dores de cabeça, e poderia confiar nas pessoas sem medo algum. fico puta comigo mesma quando percebo que me engano sobre quem diz me amar. as vezes, dói pra valer, em outras vezes, nem faz diferença alguma. mas, dessa vez, está doendo um pouco mais do que eu cogitava. sempre penso nas proporções de dor que cada decepção vai me trazer, e não costumo me enganar. talvez, por ter envolvido algo ''material'' no meio, eu tenha me apegado mais do que o habitual. mas FODA-SE! não importa, e eu quero que todo mundo enfie seus mundinhos exageradamente ilusórios e venenosos no cu, e sejam felizes pra sempre.
é assustador e demasiadamente deleitante olhar pra trás e ver todos caídos, enquanto estou no alto. é estranho e tranquilizador saber que, a maioria deles, eu jamais voltarei a ver.
a vida é feita disso, de idas e vindas. enquanto eles estão sumindo, afogando-se em suas próprias mentiras, outros novos aparecem e me ganham, e em mim, tudo modifica-se inesperada e drasticamente.

14.12.08

a salamandra e a centopéia

era uma vez uma salamandra e uma centopéia.
elas viviam em mundos muito distantes, porém, singularmente semelhantes.
sentiam as mesmas coisas, tinham as mesmas preocupações, gostos, anseios, e, acima de qualquer superficialidade, elas amavam com intensidade.
conheceram-se aleatóriamente, mas se tornaram essenciais uma pra outra, em um piscar de olhos. suas características em comum, fizeram com que criassem um mundo pararelo, pertencente somente a elas. um mundo onde eram felizes, abraçavam-se e gargalhavam de tudo o que faziam juntas, até que suas barrigas doessem. construíram uma amizade de fortes alicerces, que tempestade alguma pôde destruir.
no começo, a salamandra era taciturna, sem muitos propósitos e descrente do mundo. mas aí, a amável e alegre centopéia, mostrou a débil salamandra o valor de todas as coisas a sua volta. ensinou que ela ainda podia amar cegamente, pois ainda existiam pessoas confiáveis espalhadas, era só uma questão de sorte pra encontrá-las.
rapidamente, a salamandra recuperou-se de todas aquelas moléstias do coração, e começou a sorrir, afavelmente, a todos que lhe ofereciam um abraço acolhedor. sentiu-se a mais sortuda do mundo por ter ao seu lado aquela que, sem sombra de dúvidas, era a mais confiável de todos os seres.
a centopéia salvou-a a tempo, e a salamandra será grata até o fim dos dias.

beeem gay! (y) (HAHAHAHA) mas é muito verdade!
e, obrigada por tudo, centopéia. a salamandra aqui, te ama! <3

8.12.08

É inútil tentar te remover das páginas de meu diário

o céu transborda de estrelas com o teu nome escrito, e, inevitavelmente, vejo-as todos os dias. É impossível parar de pensar em ti sendo que sempre quando estou com meus olhos fechados, ou abertos, não importa, é o teu rosto que vejo em cada fração dos segundos. E mesmo acordada, meu amor por ti faz com que eu sonhe e meu corpo vague pelas imensas milhas que separam nosso abraço. Não há maneiras de esquecer de tua existência. Falo em ti a cada cinco minutos.
Se tu fosse poema, estaria escrito em todas as paredes do mundo. Se fosse música, seria a trilha sonora de todos os meus momentos, infinitamente. Se fosse livro, o leria todos os dias, repetidamente, inúmeras vezes, e dormiria apertando-o contra meu peito. Se fosse filme, seria uma comédia dramática, daquelas que todo mundo aprende lições, chora, e sai rindo no final. Se fosse prato, seria o meu favorito. Se fosse bebida, seria expresso duplo. Se fosse cor, seria a mais contagiante. Se fosse objeto, seria algo resistente, feito de ferro, pequenino, mas dotado de um valor enorme, e eu o carregaria sempre em meu bolso. Se fosse sentimento, seria a maior ternura que qualquer humano já viu. Se fosse caminho, seria o único que quero percorrer. Se fosse bicho, seria um passarinho. E eu jamais permitiria que lhe roubassem a liberdade.

Tenho a mais plena certeza de que te amo e posso confiar em ti, e é uma certeza tão lúcida quanto a certeza de que vou morrer um dia.
Essa é a mais solene verdade, a minha verdade. Enquanto esse sentimento perdurar em mim, se manter impregnado nas rupturas dos meus dias e noites, vou proclamá-lo aos brados a todos que pararem pra assistir.
Sempre estarei te abraçando com toda a ternura imaculada que você despertou nas míopes aberturas febris do meu peito desde a nossa primeira troca de palavras.
Eu te amo, não canso de repetir. E, graças a isso, minha frieza e desesperança criada acima das atitudes humanas, está enterrada na esterilidade de alguns fatos aleatórios. Fatos amordaçados como pesadelos terrivelmente amedontradores que todos esforçam-se para esquecer, que, devido a minha espontaneidade, foram convertidos em volatidade e mantém seu mesmo itinerário confuso, correndo no centro da minha proposital falta de memória, até evaporarem.
Minha doentia insuficência sentimental foi sóbriamente alinhada e direcionada aos inconfiáveis e cegos. Te privei desse lado estúpido e calculista. você conhece minhas melhores faces, e serão elas que prevalecerão quando você estiver por perto.

meus anoréxicos sentimentos tiveram seu ar renovado

Eu desapareci junto com a poeira cortante que se infiltra em lugares insólitos. Meus diferentes nomes se tornaram nômades e foram facilmente jogados ao esquecimento. Permanecem caídos nas ruínas de meus ideais.
Inconstantemente tenho voltado ao local de origem de todos os raios da minha esquizofrenia que, atualmente, se encontra parcialmente adormecida, sempre sofrendo ameaças de ser perfurada por engrenagens enferrujadas.
Trabalhando em confeccionar um final distinto de todos os já escritos em livros, meu tempo se descongela, o horizonte se abre, e as merecidas medalhas são entregues aos inocentes que carregam sagazmente seus méritos.
Um novo e estático coração em mim foi moldado. Meus anoréxicos sentimentos tiveram seu ar renovado, em mim foram inseridos dispositivos calculistas que fazem com que meus olhos sejam tristes.
Enxergo através daquilo que convecionalmente todos eles vêem. As cortinas dos meus olhos foram violentamente arrancadas.

5.12.08

amasse, destrua tudo aquilo que for desnecessário, enfraquecedor, mate até meus amores fraternais

as mudanças estão sendo sequencialmente desencadeadas em cada partícula dos espectros que dizem respeito ao meu nome.
cuspi em cima dos restos de cacos dos porta-retratos nauseabundos, arrastei-os para fora, alucinada com o ódio inflamável.

um juri inteiro para presenciar o pagamento dos crimes, porém, apenas dois olhos os presenciou, ilhados em seu clímax de horror, sem nenhum corte que concebesse fatias de alívio.
para a grande maioria, esses dias não existiram, e talvez, nem mesmo para mim. alguns deles pesam em nossas costas, insuportavelmente, a ponto de nos mostrar o contrário daquilo que ontem fizemos e pregar veementemente que somos meros mentirosos.
sem reticências e sem parênteses. assim reproduziram-se as presuasões falsas que poluíram quantitativamente a atmosfera de espelhos chamuscados de escuridão ilusória, onde eu costumava ver minha imagem distorcida e a confundia com realidade. sem valor, sem sentido e desprovidos de brilho, são os meus diários rabiscados durante esses dias de reflexos irreais. dias em que eu balbuciava ao falar sobre amor, e profundamente dormia com meus olhos abertos, esquecendo o movimento do meu corpo pelas ruas.
tentei me esconder desvanecendo cada ato infame, apagando-os de minhas recordações. tentei usar isso como forma de proteção, mas, cada dobra da minha alma discretamente grita todo o tempo, afoga-se nos litros do conteúdo sem cor e vazio que intitulei como inexorável.
não é nada, nunca foi.
me habituei a ler e ouvir essa frase sem sentir o cruel impacto dessas cinco palavras.
frases chaves podem subtrair vidas de uma superfície coberta de diferenças, coberta de hipocrisias humanas.

em algum lugar da minha mente, junto o que está em pedaços, uno os pontos com respostas estratégicas e encontro saídas.

há noites em que não consigo fechar meus olhos, não consigo dormir. e a mais horrível das insônias obriga meus olhos a se fixarem no escuro, me fazendo desistir de planejar minhas próprias visões.
saltos ornamentais e tombos proeminentes, sorrisos facilmente arrancados e lágrimas incontidas presas em garrafas... esses são motivos de palmas e deleite alheio.
os pobres diabos pensam que verão o que usam pra disperdiçar seu ignóbil e totalmente desvalorizado tempo. mas não! eu não vou cair.

estique minha memória, leia cada frase que eu ainda julgo legível, lembre-me apenas do que preciso para encontrar um lugar e me acomodar. amasse, destrua tudo aquilo que for desnecessário, enfraquecedor, mate até meus amores fraternais.
toda a sorte de coisas eu deixei lá, no cemitério de figuras de acontecimentos, agora invisíveis, e palavras para sempre inaudíveis.
estou abraçando com toda a força aqueles ensinamentos trazidos pela individualidade espontânea. experiências que expandiram poderes de decisões repentinas pra assegurar meu bem estar, e censuraram sentimentos piedosos, vindos de qualquer itinerário.

4.12.08

29/11/08

meu querido aniversário de 19 anos. mas existem motivos e mais motivos por essa data ter sido tão querida assim...
desse dia inteiro, se destacou apenas um momento que durou minutos.

inusitadamente, lá estava ela, tão linda quando eu idealizei, parada, me olhando, no horário e local mais desadequados.
um amor sentou-se ao meu lado, e eu o aceitei de imediato. creio que nessa ocasião, meu coração sentia-se fadigado de ser cruelmente apunhalado diversas vezes, e então, considerou a hipótese de suas batidas, que aos poucos aceleravam, tornarem-se complacentes por alguém que lhe daria cuidados sem exigir muita coisa em troca.
foi um pedido recheado de formalidades, seguido dos olhos sem acreditar e a boca sem saber se sorria ou se escondia-se atrás da mão com sintomas agudos de nervosismo. e, por último, o sim. a resposta foi previsível, e eu retribuí com um largo sorriso e um beijo carinhoso em uma das maçãs salientes de seu rosto.
apaixonadamente feliz com a minha insólita situação, eu já não enxergava mais nada ao meu redor além do rosto de minha terna e frágil namorada.
ficamos ali, naquela mesa, nos olhando, nos abraçando e trocando carinhos, até que a sombra de um rosto interrompeu esse estado de gestos afetuosos.
olhei, vi, mas não acreditei que pudesse ser, voltei meu rosto pra direção em que ele se mantia desde que ali me sentei. então, como um daqueles reflexos que nosso cérebro não coordena, olhei novamente. virei meu rosto em uma velocidade imperceptível, talvez no mesmo rítmo das batidas que se afloravam em meu peito, e tive a certeza. apertei meus olhos para finalizar meu ritual de reconhecimento, falei qualquer coisa a minha garota, e subi as escadas as pressas, sem nem prestar atenção em meus passos durante o pequeno trajeto, sem sequer sentir a textura lisa e fria do corrimão que minha mão esquerda tateava distraidamente.
meus olhos fixaram-se nos dela. fiz sinal para que viesse em minha direção e se aproximasse. com passos discretos, ela rapidamente estava em minha frente.
não pude conter meus braços ávidos pela sintaxe do seu corpo, não consegui interromper a ação dos meus lábios ao contar sobre o que sinto, não deu pra aprisionar as palavras, nem tampouco selecioná-las. meu inabalável sonho de abraçá-la, foi realizado, mas não satisfatóriamente. meu sorriso não se desfazia, meus olhos dançavam rente aos dela, como em um sonho real. soltei minhas primeiras falas, incrédula de que aquele momento estivesse situado em algum espaço do tempo. ela sorriu de um jeito intensamente vivo em resposta, e esse primeiro sorriso pairou sobre cada mesa, exibindo-se em seu auge de beleza, deu meia volta, decidiu ficar comigo e não mais me deixar. ela disse palavras mudas, que eu decifrei minuciosamente. fiquei de prontidão para armazená-las pra relembrar mais tarde, mesmo se fosse desorganizadamente.
nos abraçamos inúmeras vezes, frases repetidas foram ditas, e em segundo algum enjoei de dizê-las. durante todo o tempo que fiquei junto dela, eu torcia para que os minutos não passassem, pra tudo fosse tão eterno quanto eu ansiava.
abracei-a com o máximo de minha ternura, expus todo o meu carinho acumulado, que ficou nítido na sutilidade com que a toquei.
minha embriaguez em demasia, foi a responsável pela minha total falta de controle e precipitação.
bendito álcool que apressa as coisas!
mas tudo bem, ela me confessou que não era a sobriedade em pessoa, e que estava em um estado etilicamente parecido com o meu. creio que isso alivie uma pequena parte de minhas parcelas de culpa.
conversamos aproximadamente por quinze minutos, e fiz de tudo para alongá-los até equivalerem a horas. nos despedíamos, e em seguida voltávamos a falar feito quem engoliu uma vitrola (hahaha).
sem sombra de dúvidas, foi uma despedida difícil.
minha vontade era de pegá-la pela mão, correr dali, largar tudo e levá-la para bem longe. e sim! sim, eu o faria. mas se não houvesse um pequeno fato me impedindo: meu prematuro pedido de namoro.
quando finalmente nos livramos uma da outra e nos despedimos, voltei a mesa com aquele sorriso permanente, e, com uma cara de pau eminente, apenas pedi desculpas por minha demora. decidimos voltar pra casa.
na volta, dei de cara com ela. nos despedimos definitivamente, e eu, outra vez lutei contra meu desejo de sequestrá-la.
ao sairmos do bar, a garota reclamou o tempo todo do meu silêncio, e eu alegava estar sem assunto. meu corpo estava ali, mas minha mente, bem longe. em cada esquina, eu sentia arder com força meus pensamentos de dar meia volta só pra poder vê-la novamente. sem poder agir de acordo com o que queria, tornei meu silêncio inquebrável.
no ônibus, simulei o mais profundo sono só pra não ter meus lindos devaneios desfeitos. abri todas as minhas entradas de delírios e me entreguei inteiramente a eles.
são 23h do dia seguinte. estou sozinha em meu quarto, e, finalmente tenho a liberdade de contar aqui, que esse quadro de encantamento ainda não foi revertido.
o que senti ao abraçar e segurar a mão daquela garota pela primeira vez, mostra-se inflexível a ponto de negar-se a se retirar mesmo que eu ordene aos brados.
esse encontro, decididamente, fez com que eu perdesse meu rumo e optasse por acabar o que havia começado.
mas é como dizem por aí: o tempo conserta tudo.
novamente, deixarei tudo por conta do dono de todas as causas, e, lembrar-me-ei sempre que ele permitir, da primeira vez em que a vi e de todos os tremores, confusões e sensações inexplicáveis que esse encontro gerou em mim.