23.7.09

uma simples decisão pode mudar tudo;

segure minha mão; está estendida pra você.
retribua meu gesto com um doce e acolhedor sorriso, e nele me abrigarei, permitirei que este amor ultrapasse todos os limites que estipulei quando quis ficar sozinha.
você está de volta, e agora pode ver que nada é como antes, e que tudo adquiriu uma solenidade até então insólita pra nós; a seriedade das novas palavras, a intensidade dos novos sentimentos...
em seu quarto, com a porta fechada, você raciocina melhor, e sozinha decide dar início a algo que sempre esperamos, mas nunca compreendemos.
a calmaria tem se alojado em cada pedaço dos dias; tão clara, tão quente e reconfortante. eu sei, eu vejo, nos tornamos melhores depois de tantas batalhas que travamos dentro de nós mesmas. te abraço, e sinto que os medos migraram pra longe.
agora posso dormir e acordar com a certeza de que te verei novamente amanhã.

5.7.09

tão vivo, e tão débil

os esquívocos sempre estarão presentes, eu sei.
a dor que evito sempre estará próxima, em todas as rupturas de tudo o que diz respeito a mim. um imã pra aquilo que machuca, dilacera, esquarteja. em questão de dias vejo sonhos mortos, junto com meus heróis.
nada é suficiente pra eles, a verdade nunca importa.
pregos estão fincados em meu cérebro, e fazem com que meu coração adoeça sempre que experimento tal ligação, e eu sangro, de fora pra dentro, exprimindo a angústia que você deixou aqui no escuro.
nesses instantes não estar sozinha não evita catástrofes, independente da proporção de cautela. eu grito, e jamais sou ouvida, corro, e jamais alcanço. estou quase sem fôlego, e os movimentos das minhas pernas tornaram-se limitados.
meus olhos latejam pelo acúmulo de lágrimas contidas, mas elas não migram, não há alívio. minha voz trêmula denuncia o fim que você gritou, e em minha espinha se alastra o frio da falta, da perda. sorrisos verdadeiros não podem ser comprados, demonstrações de amor não podem ser detidas, e a completa inanição do que não existe sempre me mata, e agora levou minha alma pra longe daqui. talvez não haja nada além da minha fé que possa rasgatá-la.
a sorte está do meu lado, e vou em frente com minhas crenças, sem interrupções, e por mais que não haja espaço no mundo pra mim agora, basta apenas fechar meus olhos com força e fazer vir à tona as explosões dos pesadelos que me trazem a vida e a morte, ao mesmo tempo. são apenas esses espasmos detestáveis que me fazem entender a que mundo pertenço.
diferenciar o certo do errado é a solução ideal pra esses dias que existiram, com toda a sua melancolia e mistérios.
a lógica torna-se indispensável cada vez que suas vontades te traem.
é desesperador saber que suas verdades foram jogadas no lixo por mãos alheias.
meus esforços transpiraram por você, e agora devo fazer as lembranças desaparecerem a ponto de surgirem dúvidas sobre aquilo que ontem mesmo fizemos.
risquei nossos braços com força, e as marcas não vão embora nem com uma tempestade envolta de nuvens que me escondem o rosto que me trouxe à luz e ao calor.
a cura está próxima, mas eu sei que haverão lugares e sons que me distanciarão dela, cada vez que me lembrar.
serei consumida pela decepção, enquanto sobreviverem em mim, enquanto não houver um atídoto pra tantas noites em claro.
vou buscar em algum lugar distante de você e próximo da minha sanidade a causa de me manter viva e com inúmeros valores.