24.11.08

desenterrando minhas melhores faces

adquirir forças tem sido uma tarefa de peso considerável nesses dias de miséria sentimental
o dia de acordar e caminhar com meus próprios passos, chegou
as atrocidades foram descobertas no dia de ontem
agora estão por toda a parte
não dá pra esconder o medo quando você é virado do avesso e exposto a levar constantes chutes em sua cabeça
prontifiquei-me a andar ao lado de ruas sem saída pra encontrar novas essências e agarrá-las com força
meus olhos não se fecham, eu não descanso, minha mente aumenta de tamanho e precisão
incessantemente, caminho sem olhar pra trás
estou pronta pra encarar de frente tudo o que adiei sem pensar duas vezes
meus olhos já podem contemplar o novo mundo repleto de muros encadeados
um mundo onde quaisquer tormentos tornam-se mais amplos e intensamente devastadores

23.11.08

os duelos se tramam esponteamente em minha cabeça

tudo gira quando o vento apaga os cigarros segurados por dedos sujos
as garrafas não entorpecem mais as perspectivas mortas que, milagrosamente, ressussitam e palpitam dentro de compartimentos atualmente descobertos
a autosuficiência em excesso começa a exacerbar tremores de sussurros jogados ao chão
faço promessas em torno do que está abaixo dos meus objetivos
meus movimentos se aceleram quando meus sentidos se aguçam especialmente pra percorrer o mesmo percursso que escrevi
hoje eu sei que não vou morrer
a mobília se retira sozinha, vagarosamente, sem nenhum volume audível
tudo se torna tão agradavelmente satisfatório uma vez que eles retiram suas palavras dos meus quadros de crises
ouvidos sensíveis compreendem o que quero dizer
eu rego todos os dias meus campos de concentração enraivecidos pra que as flores transbordantes de determinação não muchem
todos os sacrifícios que levam um pedaço de mim, desfazem sorrisos e deixam a superfície áspera, são tão necessários quanto o movimento de minhas pernas
amanhã terei o quero se esse mesmo metabolismo não se rebaixar
uma lista de regras a seguir fazem a disciplina vir a tona sem roubar o meu melancólico outono
meus valores não são artificiais ou vulneráveis
seguirei meu caminho solitário, atravessarei as paredes sobrepostas a mim
as características do meu destino habilmente traçado estarão guardadas quando eu precisar relembrá-las
amanhã pagarei minhas dívidas e uma consciência transparente vai orientar meus planos

22.11.08

quarta-feira chuvosa, nublada e fria.

o clima perfeito pras inspirações estarem por toda a parte. por incrível que pareça, elas sumiram. simplismente não encontro palavras suficientemente bonitas e nem consigo formar frases criativas. não encontro nenhuma certeza, só posso sentir um leve frio no estômago e um turbilhão de sensações sobrepostas ao meu corpo.
um canto escuro, a trilha sonora ideal, cigarros e um cinzeiro improvisado, fotos do rosto inspirador, deslumbrantemente lindo pertencente a ela, meus olhos atentos, e algo novo e grandioso me protegendo do frio e melancolia. talvez seja apenas o que preciso pra prosseguir.
creio que a melancolia que anda de mãos dadas comigo, seja meu bem mais precioso, mas confesso que o novo e grandioso tenha interrompido seu curso natural e não tenho muitas reclamações ou protestos. me sinto leve, quase flutuante, sem sentir os pés no chão por alguns instantes. já nem me recordo qual foi a última vez que tive esses sintomas de paixonite.
eu deveria parar e me perguntar o porque de estar aqui novamente, pois creio não ter restado mais nada pra escrever por agora. mas preciso dar continuidade a isso e registrar um breve diário de uma pequena, mas não menos importante parte da minha vida. preciso expressar minhas atuais vontades.
enfim, acordei com uma única e enorme: levantei da cama, liguei o computador enquanto passava pela sala, corri pra escovar os dentes, voltei o mais rápido que pude e, ansiosamente, entrei no msn. de fato, ela não estava online, como havia me dito (o que amei e fez com que me sentisse importante).
ainda sustentava uma pequena esperança, afinal de contas a chuva estava forte, com vigorosos, grossos e incessantes pingos, e é realmente difícil encontrar alguém disposto a sair nessas condições.
ao me deparar com o msn vazio, sem ela, sem minha única razão de estar ali, decidi escrever pra que tentar imergir ao menos uma parte da falta que ela me faz mesmo estando longe por algumas horas.

texto meio velho, mas achei válido postá-lo. :3

20.11.08

sensação estranha e difícil de definir

minha insônia e inquietação não me permitiam fechar os olhos, e quando o fazia distraidamente, algo automático e mágico me acometia: a lembrança de um rosto ainda "desconhecido".
as imagens estáticas ganharam cor, movimento, cheiro. era como poder ver e sentir tudo encostando em mim, impregnando cada expressão corporal, estabelecendo instantaneamente uma ligação forte entre meu coração e meu cérebro. fazendo com que ambos despertassem de um longo adormecer, se interligando pra ganharem um pouco de amor.
durante a noite, sonhei com ela. pude tocar seus lábios macios, rosados, maduros e ao mesmo tempo ingênuos, com traços integralmente unidos a jovialidade.
ah, os olhos, não posso me esquecer dos olhos! eles prendem minha atenção, deixam os meus preenchidos de ternura. exalam autoconfiança e independência, expõe parte da sua fragilidade e necessidade de cuidados. são compostos de um azul transparente, ocasionalmente melancólico, e não passa despercebido em meio a outros. posso enxergar sua alma através dessa transparência.
também não posso deixar pra trás as mãos. imagino elas tocando meu rosto quando fecho meus olhos. são lindas, delicadas, branquinhas. tenho a impressão de que foram desenhadas e em seguida esculpidas pelos meios hábeis da perfeição. todos os dias sinto vontade de encher aqueles dedinhos de beijos.
foi somente o que minuciosamente pude observar. todos esses mínimos detalhes se repetem no meu subsconsciente, o sonho se torna cada vez mais real, e posso sentir a testura aveludada dos seus cabelos louros entre meus calmos dedos todos os dias no meu quarto antes de dormir.
o único momento em que ouvi sua voz até hoje, ficou armazenado, gravado em um lugar secreto. ela se iguala as mais belas sinfonias que tanto agradam meus ouvidos, me trazem paz, me desligam do mundo e fazem vir a tona a mais plena sensação de bem estar. sinto vontade de ouvi-la durante horas só pra prolongar esse deleite.
bom, não há necessidade de me demorar descrevendo características físicas da menina com quem ando sonhando acordada. sua real, estonteante e magistral beleza, se encontra em sua essência e caráter (ela reconhecerá essas palavras).
ela é diferente da maioria. honra seus sentimentos, morre por eles, dá a vida por um amor, é portadora de dons incomuns ao meu ponto de vista. sua força de vontade não deixa a desejar. invejo sua capacidade de manter seus pés no chão e saber tirá-los de lá na hora certa, sem cair e provocar fraturas expostas em sua concentração.
ninguém nunca escreveu um texto sobre sua límpida personalidade, nunca registraram o quanto ela é importante.
ontem me disse que amaria se escrevessem pra ela, e cá estou eu, realizando tal desejo.
porém, cabe a mim ressaltar que não estou fazendo isso simplismente pra agradá-la ou ganhar algo em troca. estou aqui porque ela se mostrou especialmente digna, e é uma honra retratar o que sei relacionado ao seu jeito, caráter e alma.
se minhas palavras a fizerem sorrir, será a melhor recompensa que poderei ganhar.
adoraria poder escrever mais, mas o nosso tempo de "convivência'' censura essa minha vontade.
isso não é problema. a cada dia que se passa nos conhecemos melhor, e logo estarei descrevendo suas características com ímpeto e integridade.
seu nome?
isso só ela saberá.

12.11.08

nathi...

ela é a minha maior fonte de ternura, minha melhor amiga, e até mesmo minha melhor amante. em todas as minhas noites frias, peço em silêncio pra que nathi nunca parta das extremidades homogeneamente amenas de meu afeto. desse ato, emergem-se milhares de sentimentos enfileirados e organizados, que me fazem perceber o quanto nathi é especial. sei descrever cada um, pois permanecem sóbriamente acesos em mim. não sinto simplismente amor, ou necessariamente amizade. está aqui presente, uma infinidade de sentimentos que existem entre esses dois, e eles estão envoltos do maior carinho que eu já senti por alguém.
nathi é uma garota incrível, linda e alegre, cheia de vida. contagia a todos com a magia da sua felicidade de estar viva e seu inesgotável sorriso.
o que incitou meu carinho de súbito (que pra mim, é algo peculiarmente surpreendente), foi sua sinceridade extrema (seguida de uma capacidade indescritível de me deixar com cara de boba), de espécie incondicional (aliás, já não vivo sem ambas). nathi deixa meus pensamentos latejantes de saudades quando se ausenta por muitos dias. sinto sua falta todo tempo, é inevitável. o que me causa a ilusão mais real que já tive sobre o tempo não passar. o tic tac do relógio, se reproduz involuntariamente em algum canto do meu inconsciente, onde extraem as cores de qualquer objeto, depois os torcem até vazar todo o sangue. então os deixam jogados, sem movimentos, sem fôlego, sem capacidade de se deteriorar pra abandonarem o estado de morto-vivo. lá, apenas se fixa o que quero que seja permanentemente esquecido. bom, as vezes vale a pena resgatar algumas daquelas lembranças, nem que seja apenas por minutos. o tic tac do relógio por exemplo. as vezes gosto de reouvi-lo. ao invés de torturar-me, trás a impressão de que o tempo talvez esteja passando, que as horas diminuem gradativamente, e posso sentir nathi mais próxima de mim. a tortura situa-se na parte de ter que ouvi-lo a cada segundo do dia, de suportar sua repetitiva perseguição até em meus sonhos. por esse incômodo contratempo, exílei-o. mas evitá-lo dessa forma, não surti eficientes resultados. ainda assim, os dias se prolongam nos flamejantes e limpídos céus, seguindo sem rumo, até onde minha imaginação caminhar, sem curvar-se de fadiga e sucumbir ao sono. os ilimitados arco íris possuem o mesmo pote de ouro em cada fim: os olhos claros receptivamente carismáticos ligados a uma boca sorridente, uma mente puramente sentimental e sábia, um corpo quente de braços abertos, prontos pra me acolher. por fim, o abraço: retido, tenro, emocionante, inesquecível, eterno. o tão almejado abraço.
essa adorável recompensa, requer espera e a astúcia da paciência. e assim idealizo a chegada de nathi, meu tesouro no fim de cada arco íris.

9.11.08

minha indeterminação tem arrancado meu sono

dezenove anos de existência, e nenhuma conquista material que implique segurança. absolutamente nada que garanta minha sobrevivência e independência.
aos brados, soletro minhas divergências, crônicas e voluntárias, ao rosto que está em minha frente, refletido no espelho. elas são sentidas como socos no estômago, me encorajam a solucionar esse duradouro caso sobre anos que não foram vividos, que deixaram de existir, sem deixar vestígios.
o silêncio coletivamente compacto, tem me transportado em alta velocidade até meus almejantes sonhos, e já posso sentir arder em minha pele o peso da falta de responsabilidades que são cruciais.
vou esvaziar meu cérebro, mandar pro inferno ignóbeis e hostis farças, que nele pousaram por intermédio de pessoas que merecem meu desprezo.
a destruição, atualmente obrigatória, dessa longínqua teia composta da matéria morta de minhas mágoas, já não é mais tida como catastrófica ou ameaçadora, e sim, aspirantemente necessária.
os antagonismos inconscientes que vivenciei, finalmente tornam-se compreensíveis, e se sobressaem ao lado dos amontoados de ruínas fatídicas, me ajudando diretamente a traçar, em todos os pormenores, meus prováveis rumos.
estou me preenchendo com doses gigantescas de coragem não efêmara pra adquirir volatidade, e sumir, sem me preocupar com o horário de retornar.
isso tudo deve-se as traições desgastantes, que engrossaram meu sangue, e depois o solidificou, deu a ele exatamente a testura e temperatura do mais inquebrável gelo. meu melhor senso de interpretação, instalou em minhas retinas, uma espécie de mapa de autosuficiência, que exacerba o mais mordaz individualismo, e faz com que meus olhos sejam hábeis a ponto de indentificar moralismos ilusórios.
jamais darei a vida por nenhum amor além do amor próprio. ninguém me salvará, não há nenhum braço estendido na beira dos precipícios além do meu. minhas lágrimas quentes e ácidamente puras, serão derramadas apenas por meus firmamentos. meus segredos jamais serão contados, e eu direi adeus a todos aqueles que tentarem invadir minha privacidade utilizando aquela negligência emporcadalhada por deficiências inadmissíveis e incuráveis.
planejar MEUS objetivos. tarefa árdua, que exige a mais plena dedicação. no alcançar desses objetivos, encontra-se o ponto culminante da satisfação, que todos procuram, porém, poucos realmente alcançam.
não confundo satisfação com felicidade. tal palavra, pra mim, ainda permanece desconhecida. talvez, no desencadear de minhas conquistas, ela ganhe algum significado em meu perspicaz dicionário, singularmente criado, com fins de todo direcionados ao meu bem estar.
jamais conseguirei abrir mão da minha atmosfera melancólicamente solitária. é do meu feitio sustentar hábitos que, para muitos, são sinônimos de profunda e torturante tristeza. posso assegurar que minhas manias, quase sombrias, ensinam-me muito. jamais deixarei que elas se desvaneçam, não posso deixar de sentir o quanto é deleitante irradiar, de uma forma exageradamente expressiva e sincera, a enorme e incrível, estonteante beleza que contém em cada espécie de tristeza e dor.
não pense que sou um ser desprovido de sentimentos, mas pense que sou um ser provido de inteligência, que se priva de cansaço e irritações por ter bom senso, e que está a caminho da satisfação integral.

5.11.08

pessoas são objetos descartavelmente sem utilidade...

é patético amar alguém, ser apunhalado, depois chorar durante meses por algo/alguém que te quer pelas costas, que está bem longe e se divertindo
com a tragédia que provocou.
não saio dizendo eu te amo a deus e o mundo, e pouco me importo com aqueles que me dizem quando sei que não é verdadeiro. apenas lamento por não
saberem que o mal de verdade, eles estão injetando neles mesmos, sem notar, e que talvez morram sem saber o que é amar. pra mim, pessoas são
objetos descartavelmente sem utilidade. humanos são patéticamente imbecis, frustrantes, dissimulamadente falsos, cruéis, e sempre arranjam uma
maneira, geralmente bem superficial e fútil, de ''serem'' melhores que outros.
alguém é melhor que alguém?
por que eles não notam o óbvio?
por essas e muitas outras, sou sozinha e sempre serei. essa é a minha verdadeira e invejável essência.
são poucos os que conseguem tal proeza.
tudo gira em torno de mim. realidade, sonhos, sorrisos, lágrimas, aspirações, futuro...
não faço nada que envolva outros nomes. nada é pra sempre, e se tu não tem culhões pra lidar com o fim, acaba vegetando por não encontrar saídas pra
poder seguir sozinho. logo se torna dependente da mesma forma anterior, sem notar esse constante erro grosseiro.
o dia em que eu mudar essa visão, por favor, me matem! estarei realmente insanecida e cega.

3.11.08

sensação ruim, comparável a plástico inflável

constantemente meu sono tem sido perturbado. acordo meio vazia, com uma sensação ruim, comparável a plástico inflável, apenas mantendo boa aparência externamente. por dentro... só eu sei o que predomina. até algumas horas, tinha aqui todas as estrelas do céu, todos os tipos de magnetismo inexplicavelmente lotados de vivacidade, que aquecem corações apaixonados. agora, me vejo dirigindo em uma estrada sinuosa, brutalmente silenciada por minhas próprias mãos, com cheiro amargo de arrependimento.

2.11.08

domingo frio e nostálgico, chuvoso e cinzento, melancólico e solitário.



dias como o de hoje, na minha concepção, são ideais pra rever conceitos, inovar valores (ou rasgatá-los), encarar e aniquilar o que fere, e começar um blog. hahaha
reflexões sempre ampliam visões, e planos dão sentido a nossa existência. viver ao acaso não teria fundamento.
o que seria de nós sem nossos queridos planos?
decepções sempre são muito válidas pra absorver maturidade. singularmente, minhas preferências estão concentradas nessa forma dolorosa de aprendizado.
há tudo pra mudar, mas colocar dias e mais dias em ordem, não é uma tarefa simples, que possa ser resolvida em um estalar de dedos.
com os estímulos de meus tombos proeminentes, minhas mãos já podem alcançar os ingredientes necessários pra que eu possa carregar minha bagagem pra onde queira me mudar.
expulsar o conformismo é apenas o primeiro de infinitos passos. e acreditar em si mesmo é muito mais do que fundamental.

"Meus olhos estão pendurados pelo meu corpo. Meus pés estão pendurados pelo chão. Meus braços estão pendurados pelas minhas mãos, que estão penduradas pelos meus dedos. Eu sou a marionete de mim mesmo."