dezenove anos de existência, e nenhuma conquista material que implique segurança. absolutamente nada que garanta minha sobrevivência e independência.
aos brados, soletro minhas divergências, crônicas e voluntárias, ao rosto que está em minha frente, refletido no espelho. elas são sentidas como socos no estômago, me encorajam a solucionar esse duradouro caso sobre anos que não foram vividos, que deixaram de existir, sem deixar vestígios.
o silêncio coletivamente compacto, tem me transportado em alta velocidade até meus almejantes sonhos, e já posso sentir arder em minha pele o peso da falta de responsabilidades que são cruciais.
vou esvaziar meu cérebro, mandar pro inferno ignóbeis e hostis farças, que nele pousaram por intermédio de pessoas que merecem meu desprezo.
a destruição, atualmente obrigatória, dessa longínqua teia composta da matéria morta de minhas mágoas, já não é mais tida como catastrófica ou ameaçadora, e sim, aspirantemente necessária.
os antagonismos inconscientes que vivenciei, finalmente tornam-se compreensíveis, e se sobressaem ao lado dos amontoados de ruínas fatídicas, me ajudando diretamente a traçar, em todos os pormenores, meus prováveis rumos.
estou me preenchendo com doses gigantescas de coragem não efêmara pra adquirir volatidade, e sumir, sem me preocupar com o horário de retornar.
isso tudo deve-se as traições desgastantes, que engrossaram meu sangue, e depois o solidificou, deu a ele exatamente a testura e temperatura do mais inquebrável gelo. meu melhor senso de interpretação, instalou em minhas retinas, uma espécie de mapa de autosuficiência, que exacerba o mais mordaz individualismo, e faz com que meus olhos sejam hábeis a ponto de indentificar moralismos ilusórios.
jamais darei a vida por nenhum amor além do amor próprio. ninguém me salvará, não há nenhum braço estendido na beira dos precipícios além do meu. minhas lágrimas quentes e ácidamente puras, serão derramadas apenas por meus firmamentos. meus segredos jamais serão contados, e eu direi adeus a todos aqueles que tentarem invadir minha privacidade utilizando aquela negligência emporcadalhada por deficiências inadmissíveis e incuráveis.
planejar MEUS objetivos. tarefa árdua, que exige a mais plena dedicação. no alcançar desses objetivos, encontra-se o ponto culminante da satisfação, que todos procuram, porém, poucos realmente alcançam.
não confundo satisfação com felicidade. tal palavra, pra mim, ainda permanece desconhecida. talvez, no desencadear de minhas conquistas, ela ganhe algum significado em meu perspicaz dicionário, singularmente criado, com fins de todo direcionados ao meu bem estar.
jamais conseguirei abrir mão da minha atmosfera melancólicamente solitária. é do meu feitio sustentar hábitos que, para muitos, são sinônimos de profunda e torturante tristeza. posso assegurar que minhas manias, quase sombrias, ensinam-me muito. jamais deixarei que elas se desvaneçam, não posso deixar de sentir o quanto é deleitante irradiar, de uma forma exageradamente expressiva e sincera, a enorme e incrível, estonteante beleza que contém em cada espécie de tristeza e dor.
não pense que sou um ser desprovido de sentimentos, mas pense que sou um ser provido de inteligência, que se priva de cansaço e irritações por ter bom senso, e que está a caminho da satisfação integral.
Um comentário:
eu gostei :~
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