24.7.10

A dor da perda não é a pior. Hoje me dei conta de que várias outras dores estão fincadas, coladas em mim. Não tenho mais conseguido me expressar verbalmente, e então tento falar com os olhos. Fico a observar tudo e todos em uma tentativa desesperada de que me notem.
O tempo todo me pergunto se as pessoas sentem o mesmo que eu, se perdem e ganham, se choram quando algo dá errado, ou se sorriem quando dá certo. É estranho dizer adeus, as vezes você fica completamente incrédulo, descrente de que aquilo esteja mesmo acontecendo, e só se dá conta quando dá meia volta e deixa tudo pra trás, com os olhos marejados e uma dor desconcertante no peito. Depois da dor, o vazio. Como preenchê-lo?
São tantos detalhes que eu gostaria de poder descrever agora, do começo ao fim, em cada pormenor, cada um com sua singularidade, mas não consigo, não sou mais a mesma. Não gosto de quem me tornei. Não aprovo a maneira que tenho vivido. Uma personalidade etílica é tudo que me faz ser alguém que as pessoas gostem, que faça todos rirem em todos os momentos. Com tantas idas e vindas, estando em tantas montanhas russas, é impossível não ficar com marcas, e profundas. Minha personalidade toda foi moldada a partir de toda a desgraça e vergonha que passei. Não tenho mais energia pra tantas reviravoltas, pra tantos furacões devastadores que nos envolvem e nos abraçam forte a ponto de acharmos que não há escapatória. Hoje alguém a quem eu amava muito partiu, mas não do meu coração. Tudo está em colapso de novo, os sentidos estão lerdos, e o pensar, doloroso.
Pensar dói, lembrar é ruim, reviver é péssimo. Afinal de contas, por que estou aqui, se não pra sofrer como todos os outros?
Eu te abracei como a quem abraça a sua última respiração. Segurei as suas mãos e as beijei, e guardei a textura em meus lábios, pra sempre lembrar quando sentir falta de ter você por perto. Vi minha maior esperança se desvanecer em seus olhos, e a vi caindo em suas lágrimas. Os dois corpos se distanciaram, mas as almas ficaram lá, e elas ainda estão, sempre estarão.
Não entendo porque tem que ser assim. Perco e ganho na mesma proporção, mas não é assim mais, e temo que nunca mais será. Perdi tudo que alguém poderia perder, mas asseguro que perco meu sangue, minha carne, meus ossos; mas os meus princípios estarão comigo até a morte. Ou, quem sabe, até depois dela.
Nada estará perdido enquanto ainda existir amor, uma resquise que seja. Você pode fazê-la crescer e tornar-se algo do tamanho do mundo. E eu sei que existem muitas pessoas que não entenderão isso nem em mil anos, e agora certamente estão rindo da minha cara e me desejando o mal. Bom, o que posso fazer? Internamente meu desejo é que cada um que me rejeitou siga sua vida, seja feliz e me esqueça de vez, que jamais pronunciem meu nome novamente, nem que seja positivivamente. Eu estou lá no alto, enquanto todos eles estão lá embaixo.
Querer desabafar e não saber o que dizer é um grande problema, mas eu encontro formas, e todos deveriam encontrar. Ninguém para realmente pra conhecer a si próprio, e sempre segue o mais estético. Acho o cúmulo existirem pessoas que escrevam simplismente pra se acharem inteligentes e sairem mostrando pra todo mundo seus textos e dizendo que o que escrevem é foda, e tudo mais. Outra coisa escrota é fotografia, pois até a minha avó acha bonito e diz que é o que ela quer pra vida dela. Gosto de reparar no quanto as pessoas são ingênuas e sem opinião, e no quanto alegam o contrário. É patético. Mas estou fugindo do meu tema principal, que não era escrachar a gente influenciável e fútil. É que, realmente, é muita coisa acumulada, aí acabo colocando os pés pelas mãos mesmo, desculpe.
Enfim, pra finalizar, se alguém diferente da minha namorada ler isso algum dia; por favor, não ache que eu escrevo pra me achar o limão da caipirinha, porque sério, não é nem um pouco! Escrevo porque gosto, porque é o método mais eficaz pra que eu me sinta viva, pra me sentir melhor.
Bom, só o que quero dizer é que, se você tem alguma coisa pela qual ainda vale a pena viver, não desista nunca. Minha hora ainda vai chegar, e eu vou viver a minha maneira, sem me prejudicar com mais nada, e tudo vai ser superado por completo em breve.
Minha namorada veio dormir aqui ontem pra conhecer os meus pais, e foi a melhor coisa do mundo pra mim. Fiquei realmente muito, muito boba!
E o melhor foi que acordei 6h da manhã pra ir dar tchau pra Pati, e ela (to fugindo completamente do tema, mas tá, HAHA) acordou quando eu tava terminando de me vestir, e apareceu no meu quarto de surpresa. Foi a cena mais linda que meus olhos já viram: aquela coisinha fofinha toda descabelada e com carinha de sono vindo na minha direção me abraçar. Ela é linda, a coisa mais linda do mundo todo! E se tem algo que me tira de onde eu estiver, por pior que seja, é olhar pra aqueles olhinhos e aquele sorriso de criancinha. Queria muito estar com ela agora, ao menos seguraria as pontas melhor pela Pati ter ido embora. Mas amanhã é um novo dia, e não vou me abater, porque eu sei que a Pati não vai gostar de me ver assim, e não quero dar preocupações pra minha menininha. E sei que o final ficou escroto, e que não tem nada a ver com o restante do texto, mas é isso aí! HAHAHA Não era pra ficar bonito, e tenho dito. E também não to a fim de procurar erros ortográficos, jamais lerei de novo novamente.
Adeus. :*