5.12.08

amasse, destrua tudo aquilo que for desnecessário, enfraquecedor, mate até meus amores fraternais

as mudanças estão sendo sequencialmente desencadeadas em cada partícula dos espectros que dizem respeito ao meu nome.
cuspi em cima dos restos de cacos dos porta-retratos nauseabundos, arrastei-os para fora, alucinada com o ódio inflamável.

um juri inteiro para presenciar o pagamento dos crimes, porém, apenas dois olhos os presenciou, ilhados em seu clímax de horror, sem nenhum corte que concebesse fatias de alívio.
para a grande maioria, esses dias não existiram, e talvez, nem mesmo para mim. alguns deles pesam em nossas costas, insuportavelmente, a ponto de nos mostrar o contrário daquilo que ontem fizemos e pregar veementemente que somos meros mentirosos.
sem reticências e sem parênteses. assim reproduziram-se as presuasões falsas que poluíram quantitativamente a atmosfera de espelhos chamuscados de escuridão ilusória, onde eu costumava ver minha imagem distorcida e a confundia com realidade. sem valor, sem sentido e desprovidos de brilho, são os meus diários rabiscados durante esses dias de reflexos irreais. dias em que eu balbuciava ao falar sobre amor, e profundamente dormia com meus olhos abertos, esquecendo o movimento do meu corpo pelas ruas.
tentei me esconder desvanecendo cada ato infame, apagando-os de minhas recordações. tentei usar isso como forma de proteção, mas, cada dobra da minha alma discretamente grita todo o tempo, afoga-se nos litros do conteúdo sem cor e vazio que intitulei como inexorável.
não é nada, nunca foi.
me habituei a ler e ouvir essa frase sem sentir o cruel impacto dessas cinco palavras.
frases chaves podem subtrair vidas de uma superfície coberta de diferenças, coberta de hipocrisias humanas.

em algum lugar da minha mente, junto o que está em pedaços, uno os pontos com respostas estratégicas e encontro saídas.

há noites em que não consigo fechar meus olhos, não consigo dormir. e a mais horrível das insônias obriga meus olhos a se fixarem no escuro, me fazendo desistir de planejar minhas próprias visões.
saltos ornamentais e tombos proeminentes, sorrisos facilmente arrancados e lágrimas incontidas presas em garrafas... esses são motivos de palmas e deleite alheio.
os pobres diabos pensam que verão o que usam pra disperdiçar seu ignóbil e totalmente desvalorizado tempo. mas não! eu não vou cair.

estique minha memória, leia cada frase que eu ainda julgo legível, lembre-me apenas do que preciso para encontrar um lugar e me acomodar. amasse, destrua tudo aquilo que for desnecessário, enfraquecedor, mate até meus amores fraternais.
toda a sorte de coisas eu deixei lá, no cemitério de figuras de acontecimentos, agora invisíveis, e palavras para sempre inaudíveis.
estou abraçando com toda a força aqueles ensinamentos trazidos pela individualidade espontânea. experiências que expandiram poderes de decisões repentinas pra assegurar meu bem estar, e censuraram sentimentos piedosos, vindos de qualquer itinerário.

Nenhum comentário: