11.1.09

raiva instantânea e não momentânea

vejo falsos moralismos empilhados desorganizadamente, trepados sobre o monte de hipocrisias putrefatas. estas, por sua vez, são fabricadas sob medida, cabem especificamente em cada ser humano. tenho a impressão de que foram inteiramente criadas justamente para tornar tal detestável e nauseabunda raça ainda mais depravada que o convencional.
os moralismos ressussitam, caminham até mim, ficam na altura dos meus joelhos, esfolam minha carne e atacam aquele local que mais me causa dor. infiltram-se em cada dobra, em cada quina, e em toda a parte. contaminam meu espaço.
esta dor provém das imagens equivocadas que meus olhos capturam. em cada uma contém fraquezas que, a qualquer olho débil, são permanentemente ''inexoráveis''. todas as visões são centradas veementemente nos pontos negativos. mas quem realmente as nota? quem pensa em vencê-las e ser alguém melhor?
sem perceber, eles permitem que os pseudônimos aumentem e tomem conta de tudo que essencialmente deveria estar intacto.
toquei com meus dedos a falta de coragem, afaguei suas extremidades e as assoprei com cuidado para mantê-las em segurança. um gesto de extrema preocupação. preocupação que foi jogada ao chão, pisoteada, exposta ao ridículo. totalmente desvalorizada e comparada a nada.
por que eles não podem lutar contra seus medos? por que não podem assumir o que realmente são e abandonar de vez o peso incômodo do fingimento?
não entendo como alguém consegue torturar-se a ponto de esconder-se da própria personalidade.

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