aquela garota, costumava sempre vê-la, e sempre sentia que meus batimentos cardíacos se auteravam.
sonhava com o dia que eu pudesse olhar pra ela, e saber seu nome. tudo o que eu mais queria era que ela me notasse, mas não era fácil, eu me sentia invisível em meio a multidão.
o tempo passou, nunca mais a vi.
mas tudo bem, eu não sofri, não sentia algo que podia dizer que era amor. eu só me sentia feliz em vê-la passar, misteriosa, com o seu olhar enigmático.
as decepções continuaram, senti vontade de arrancar meu coração e jogá-lo ao chão inúmeras vezes. então um dia ela voltou, mas não da forma que eu esperava. ela era a melhor amiga de alguém que havia sido muito especial pra mim, e então o que já era limitado, tornou-se impossível.
ela era especial, e eu quis ser sua amiga, mas entendi que eu jamais conseguiria me aproximar dela. foi lento e doloroso.
desde o meu primeiro dia de vida tenho esperado. cheguei a pensar que tinha sido condicionada a viver de uma forma vil, sem sentimentos nobres e indescritíveis, daqueles que todo mundo tem e ama ter.
a salvação chegou, e justo quando eu menos esperei. bateu em minha porta com um sorriso deslumbrante, e eu, de imediato a abri.
fazia frio, nossos corpos tremiam, mas quando a beijei algo desconhecido tomou conta de mim, e o frio era tão insignificante perto daquilo... em seus braços eu me senti amada, me senti tão viva a ponto de gritar até pra aqueles que não queriam ouvir o quanto eu me senti feliz aquele dia.
você segurou as minhas mãos e beijou meus lábios, e eu me entreguei a você, por inteiro.
lembro que depois do nosso primeiro beijo, após abrir os olhos, tive a impressão de que o universo a minha volta havia adquirido cores, formas, movimentos mais alegres. eu havia ganhado uma nova visão.
e então eu voltei pra casa, olhando pras estrelas, e sussurrando o seu nome pra elas. devaneios, pra durarem por horas.
mas não foi assim que acabou, muito do contrário. esse foi o começo.
os obstáculos surgiram, senti medo. a última coisa que eu queria, era te perder. desejei ardentemente que você fosse minha, pra eu poder pensar em ti sem culpa, pra poder dizer a todos que você é minha, e sentir o maior orgulho do mundo por isso.
senti que tudo ficou por um fio, e era como se eu estivesse me equilibrando, escolhendo o melhor jeito de cair pra que minha queda não fosse tão violenta.
durante alguns dias o tic tac do relógio tornou-se mais repetitivo do que o normal, e era doloroso olhar os ponteiros, o tempo parecia ter estacionado, e relutava em se mover. eu esperei; a angústia e ansiedade me consumiam, devoravam todo e qualquer pensamento que fosse diferente.
em uma bela manhã, li o que jamais esperei.
aquelas palavras me fizeram voar, pra bem perto de você. agora eu sabia, eu sabia, eu acreditava que você poderia ser minha.
te encontrei de novo, e de novo. a saudade era a maior que eu já havia sentido, e a maior que qualquer um já tivesse presenciado.
um pedido oficial fez com que eu te levasse ao topo do mundo, e lá eu te abracei, senti o calor da sua pele, de uma maneira diferente; porque você disse sim, e você era minha, e não havia nada que pudesse nos interromper. de imediato senti que o sangue em minhas veias começou a correr mais rápido, e que eu não seria mais a mesma. ''eu te amo'' - ela disse. ela me ama, ela me ama! e nada é mais importante do que isso.
uma vida nova, com direito a todos os acontecimentos insólitos, o início de uma história que não vai ser esquecida jamais, nem em cem anos.
e quem imaginaria que a garota misteriosa do olhar enigmático seria capaz de me fazer tão feliz.
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